Em 2024, a economia brasileira cresceu 3,4%. Dados sobre o Produto Interno Bruto (PIB, soma das riquezas do país) foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (BGE) nesta sexta-feira (dia 7). O resultado foi puxado pelo desempenho dos investimentos e do consumo das famílias.
Trata-se da maior alta desde 2021, quando o avanço foi de 4,8%, após queda drástica no ano anterior por conta da pandemia de Covid-19.
Embora o ano tenha sido de pé no acelerador, os números do quarto trimestre do ano passado já indicam certa desaceleração no ritmo da atividade econômica. Nos últimos três meses de 2024, o avanço foi de 0,2%.
O mercado financeiro projetava alta de 3,5% no ano, conforme projeções de analistas compiladas pelo Valor Econômico.
Consumo das famílias tem maior alta em 13 anos
O consumo das famílias cresceu 4,8% em 2024 e registrou a maior alta desde 2011, quando registrou igual avanço.
“Tivemos uma conjunção positiva, como os programas de transferência de renda do governo, a continuação da melhoria do mercado de trabalho e os juros que foram, em média, mais baixos que em 2023”, explica Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais do IBGE.
No entanto, houve queda de 1% do indicador no quarto trimestre, derrubando o resultado no do ao. O consumo das famílias representa cerca de 70% do PIB. Nos três outros trimestres, houve forte alta de 2,5%, 1% e 1,3%, respectivamente.
Segundo Rebeca, a aceleração da inflação, especialmente a de alimentos, pesou sobre o consumo das famílias, levando a um menor consumo.
— Continuamos tendo melhoria no mercado de trabalho, mas com uma taxa já não tão alta. E os juros começaram a subir em setembro do ano passado, o que já impactou no quarto trimestre — acrescenta.
O consumo das famílias não caía desde o segundo trimestre de 2021. Naquele ano, a taxa Selic fechou em 9,25% ao ano, o maior patamar naquela ocasião desde 2017. Hoje, está em 13,25%.
Investimento salta mais de 7%
Ainda pelo lado da demanda, o investimento teve forte crescimento. Avançou 7,3% no ano passado e subiu 0,4% nos últimos três meses do ano, na quinta leitura trimestral positiva.
Os investimentos ainda estão se recuperando do período da pandemia, quando tiveram forte queda.
Economia cresceu mais que o previsto
Os números sinalizam que a economia cresceu o dobro do que o mercado esperava inicialmente. Em 5 de março do ano passado, o Boletim Focus do Banco Central apontava que a economia cresceria 1,77%, conforme mediana das projeções dos analistas.
Para o ano de 2025, a previsão é de um crescimento bem mais modesto. O economista da XP, Rodolfo Margato, prevê uma alta de 2% do PIB, influenciada pelo aperto da política monetária. A Selic, taxa básica de juros, está em 13,25% ao ano. No início de 2024, estava em 11,75%.
Segundo Margato, a desaceleração já é evidente na indústria de transformação, na mineração e na construção civil. O setor de serviços também já mostrou moderação no fim do ano.